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riscos_e_rabiscos

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Não Se Mente Às Crianças!

Eu e o N. fomos às compras. Tínhamos falta de algumas coisas, pegamos nos sacos e no Pimentinha e dirigimo-nos ao carro. Nos dias em que não está muito calor, o Pimentinha vai connosco às compras, ficando no carro com vidros e tecto de abrir, abertos,

 

Quando voltámos para casa, estavam uns putos a jogar à bola no jardim que pararam para nós passarmos. O N. trazia o Pimentinha pela trela e passa junto de um dos putos, que lhe pergunta:

 

- Porque é que ele (o Pimentinha) tem os olhos vermelhos?

 

- Porque é vampiro... Não vês os dentes dele e tudo?- responde o N.

 

Eu explico: o Pimentinha tem uma membrana do olho que de vez em quando lhe sai para fora e vê-se uma parte vermelhinha no olho. Este problema só pode ser resolvido cirurgicamente e como não está a afectar a visão e os tempos estão maus... ainda não foi à faca!

 

O puto faz sempre a mesma pergunta quando vê o Pimentinha e o N. como tem sempre resposta na ponta da língua... pimba!

 

 

Em Contenção de Nervos...

                                                                   

 

 

Continuo com o mesmo estado de espírito de ontem mas menos acentuado. Continua a não me apetecer fazer nada e muito menos sair de casa.

 

Fui fazer o meu penso, que é o acontecimento mais excitante das terças e quintas-feiras.

Cheguei à paragem do bus e sentei-me para uma espera de meia hora. Começam a chegar outras pessoas à paragem. De um lado senta-se um velho que, imediatamente, demonstra que é português. Primeiro é a famosa cuspidela para o lado… Blergh! Argh! Ca nojo! Como se não bastasse, começou a coçar as miudezas (para quem não conhece a terminologia, são as partes íntimas). Só não vi se tinha a unha do dedo mindinho grande para servir de palito ou cotonete. O grunho português não é uma espécie em extinção! Confirma-se!

Chega mais uma senhora, que se senta do meu outro lado. Beeeem…!!! Trezentos e vinte e sete litros de perfume. Sabem aqueles perfumes que antes de vocês chegarem, já eles lá estão? Era um perfume fortíssimo e que deixava rasto… e aposto que aquilo não sai da pele nem da roupa. Mesmo que nos lavemos com esfregão de arame ou lixívia!

É claro que a minha penca deu logo sinal. Eu que tenho um faro igual ao de um cão, que sinto cheiros que os outros não sentem e ainda sou gozada por cima, a levar cum pivete daqueles logo pela manhã! Que nervos!

 

Passada meia hora lá veio um bus. E adivinhem lá… A parva da velha não respeitou nada nem ninguém. Entrou à frente do pessoal todo e nós tivemos que gramar com o seu rasto de perfume. Eu nem forças tive para reagir, tal foi a rapidez da velha e também porque eu já tava com a moka do pivete.

Cheguei atrasada para o penso. O que vale é que já toda a gente me conhece, quer-se dizer, conhece o meu buraquinho, a minha “cratera”.

 

Estou piursa! A médica que acompanha a evolução da minha fistulectomia, sugeriu-me o reencaminhamento para as consultas de nutrição. Passou-me uma autorização e disse-me que a secretária dela me iria telefonar para marcar a consulta para dia 14 ou dia 21 e, nessa altura, via também a loca. Eu até perguntei se era em Setembro e ela disse que sim. Tudo muito bem. Entreguei a documentação e estou à espera até hoje. O pior é que a loca não tem tido nenhuma vigilância a não ser a dos enfermeiros que a tratam diariamente. Eles dizem que está muito bem mas, de qualquer das formas, tem que ser vista por um médico, né?

Levei a tarde a inteira a ligar para o hospital. Na central de telefones ou são surdos ou não percebem português. Ou então só percebem linguagem tipo “ligue-me à extensão 1236462” ou “ligue-me à cirurgia xy”. Fui sempre reencaminhada para sítios que não tinham nada a ver. Resumindo, não resolvi o problema. Terça-feira (sim, ela só dá consultas à terça-feira!) tenho de ir pregar para a porta do consultório da médica para falar com ela. E, por acaso, está mesmo a apetecer-me! Humpf!

 

Enganei o N.. Não, não é dessa maneira que vocês estão a pensar. E também não há pormenores badalhocos. Epá, apeteceu-me malucar um bocadinho. Também é preciso. Eu era tão maluquinha e acho que isso está a desaparecer em mim. ;/

A peta que preguei ao N. foi acerca do menu para o meu jantar. Disse-lhe que ia comer túbaros de bacalhau. LOOOL. Saiu-me na altura, que é que querem…! Nem sequer sei se existe tal repasto… Ele achou estranho e desatou a perguntar-me se não eram caras ou ovas. Mantive sempre a minha palavra e ele caiu que nem um patinho. Ainda não me descai, não lhe contei a verdade. Acham que lhe conte a verdade ou deixo-o ler o blog para descobrir? :P